De um lado, um norte-americano, apoiado pela mídia, apesar de evidentes sinais de instabilidade. De outro, um norte-coreano, mostrado como ditador. Um dos dois – ou ambos? – sai do encontro como “líder”.

 

Em Kim, é claro. Embora a mídia mainstream do Ocidente insista em apresentar o líder da Coreia do Norte como alguém em quem não se pode confiar etc.

 

A ficha de Trump tampouco é limpa. Ele aparece como um líder instável, intempestivo, topetudo, mas um “self-made-man”: um empresário de sucesso. Já Kim aparece como o líder de um regime obsoleto, ditatorial, destinado ao fracasso da história.

 

Em resumo, os desacertos de Trump são devidos ao indivíduo; os de Kim, ao sistema.

 

Mas a observação abrangente e sistêmica nos leva a uma outra conclusão. Kim é mais confiável. Por quê?

 

Em primeiro lugar, porque sua estratégia vem dando certo. A de Trump, não.

 

Kim conseguiu que o encontro se realizasse, apesar da negativa de Trump, algumas semanas atrás. Ponto para ele. Kim vem se mostrando um agente diplomático eficiente: manteve contatos com Moon Jae-in, da Coreia do Sul, com Xi Jingping, da China, aguarda a visita de Vladimir Putin e de Bashar al-Assad.

 

Já Trump está correndo atrás do prejuízo: brigou com seus aliados europeus, com o Canadá, tornou-se um cabo eleitoral valioso, malgré lui, para Lopez Obrador, o candidato presidencial de esquerda no México. Ou seja, a biruta de Trump, instável no plano internacional, contestada no plano interno, pode mudar a qualquer momento, de acordo com os ventos que soprem, sobretudo em sua cabeça.

 

A de Kim não. A gente vê planejamento e sistema na sua atuação. Pode-se discordar dela, mas não negar-lhe a coerência e a consistência. De ameaça em ameaça, ele chegou lá, conseguiu a reunião que queria. Já Trump chegou lá meio de arrasto, por não ter outra saída, nem entrada.

 

Trump queria que a Coreia do Norte desmantelasse unilateralmente seu arsenal nuclear. Parece estar prevalecendo a tática do Kim: um desarmamento progressivo, passo a passo, com toques de reciprocidade, envolvendo as sanções econômicas. Trump anunciou que vai suspender as manobras militares com a Coreia do Sul. Evitar os “jogos de guerra”. Vitória para Kim.

 

O que transparece de tudo é que Kim é de fato um líder – quer se concorde ou não com ele. Já Trump é a ponta do iceberg em que o Titanic do Ocidente bateu.

 

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