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Derrubar governos pela ação militar não interessa mais aos EUA, diz Luiz Alberto Moniz Bandeira

 

Aos 80 anos, há algum tempo estabelecido na Alemanha, o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira acompanha à distância, embora avidamente, o complô para retirar Dilma Rousseff do poder. Aquele de 1964, o acadêmico nascido em Salvador sentiu na pele e na alma, como preso político e exilado. A maneira de derrubar um mandatário eleito mudou desde então, aponta, mas os interesses envolvidos continuam os mesmos.

 

Prestes a lançar um novo livro, A Desordem Mundial, pela Civilização Brasileira, Moniz Bandeira enxerga interesses internacionais no impeachment de Dilma Rousseff. “O golpe é orientado de fora”, afirma na entrevista a seguir.

 

CartaCapital: Os países da América Latina substituíram os golpes militares por deposições através da Justiça, no caso de Honduras, ou Parlamento, exemplos do Paraguai e agora do Brasil. Como se deu essa inflexão?

 

Luiz Alberto Moniz Bandeira: Ela ocorreu em Washington. De 1900 a 200efeito, a plausible deniability, realizar um malfeito depois negado de forma plausível, tornou-se característica essencial da política exterior dos Estados Unidos, com o fito de eludir acusações de intromissão nos assuntos internos de outros países. A mídia, nos Estados Unidos, manifestou- -se duramente contra o impeachment de Dilma Rousseff. Criticou-o como golpe de Estado. Mas o capital financeiro nacional e internacional, certamente a CIA e a National Endowment for Democracy (NED), estiveram por trás da crise política e institucional, a aguçar no Brasil uma feroz luta de classes.

 

Fonte:  CartaCapital