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Brasília (DF).- Pela quinta vez consecutiva, o Banco Central (BC) aumentou a taxa básica de juros, a chamada Selic, de 12,75% para 13,25% ao ano, na semana passada. Esse valor é usado como referência para empréstimos feitos entre bancos e também nas aplicações de instituições bancárias em títulos públicos federais, os títulos da dívida pública.

 

Na prática, esse aumento vai encarecer o crédito, como empréstimos, e desestimular o consumo, além de ampliar a dívida do governo, que vai ter que pagar mais juros sobre seus títulos. O objetivo, segundo o BC, é conter a inflação.

 

No entanto, a escalada dos juros pode ter efeito oposto e agravar ainda mais a situação atual de estagnação econômica. Quem diz isso são empresários e sindicatos de trabalhadores. “O Banco Central errou quando reduziu os juros em demasia e erra agora, novamente, ao subi-lo a patamares estratosféricos com a economia completamente estagnada”, comentou José do Egito Frota Lopes Filho, presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad).

 

Em nota, a Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) alega que a alta dos juros deve encarecer ainda mais os financiamentos por parte de consumidores e empresários, piorando a perspectiva da economia brasileira. “Vai na contramão do quadro exposto pelos principais indicadores de mercado: desemprego em alta, consumo e confiança em baixa, crédito historicamente caro, atividade em queda”, avalia.

 

Há pouco mais de um mês, quando o BC também havia aumentado a taxa de juros pela quarta vez seguida, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do ramo financeiro (Contraf/CUT), Carlos Cordeiro, alertou sobre os impactos isso no orçamento público, com aumento das despesas do Tesouro Nacional.

 

Segundo o sindicalista, isso inviabiliza o ajuste fiscal que o governo tenta implementar por meio do corte de gastos e restrição de direitos trabalhistas e previdenciários. “Recursos que deveriam ser investidos em políticas sociais para beneficiar toda a sociedade serão desviados para o bolso dos rentistas e do mercado financeiro”, apontou.

 

Lucro dos bancos

 

Quem se beneficia neste cenário são os bancos, que detêm aproximadamente um terço dos títulos públicos. Apenas em 2014, o lucro das cinco maiores instituições financeiras do país foi de R$ 60,3 bilhões, 20% maior que em 2013, quando a taxa de juros da Selic estava abaixo dos 10% ao ano. “Enquanto a maioria da sociedade paga um preço alto pela elevação dos juros, o sistema financeiro tem lucro cada vez mais elevado”, acrescenta Carlos Cordeiro.

 

De acordo com o historiador e gestor em políticas públicas, Célio Turino, esse novo aumento da taxa Selic vai sangrar o Tesouro Nacional em R$ 65 bilhões ao ano, o mesmo valor que o governo pretende economizar com a aprovação das medidas de ajuste fiscal.

 

“Apesar do colossal esforço a que nós brasileiros estamos submetidos, com cortes no seguro desemprego, pensões e aposentadorias, redução nos orçamentos da Educação, Saúde e Cultura e a quase paralisia em investimentos públicos, ao final deste ano estaremos ainda mais pobres e endividados”, afirma. Por outro lado, as 20 mil famílias mais ricas, rentistas e bancos, que controlam títulos do governo, vão enriquecer 7%, afirma.

 

Turino aponta ainda uma agenda econômica alternativa, que inclua a auditoria da dívida pública, como prevê a Constituição, realização da reforma agrária, direcionamento de empréstimos do BNDES para “investimentos produtivos e inovação, principalmente para arranjos produtivos solidários e cooperativos, com alto impacto na geração de empregos”. Ele também propõe redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e imposto sobre grandes fortunas, heranças e transações internacionais.

 

http://www.brasildefato.com.br/node/31998

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