Estamos vivendo momentos cruciais na história da civilização onde todos os augúrios, previsões e até palpites, em nada fecha. Isto é, não se consegue uma explicação, parâmetro, paradigma civilizatório que possa servir de guia nas grandes decisões da sociedade humana. Vê-se uma misturança de visões, econômicas, sociais, tecnológicas, políticas, ecológicas, todas se imbricando, sem se saber qual delas seria o fio a ser puxado para que a humanidade se re-encontre.
 
No dizer de Paulo Guedes da revista Época, vivemos tempos dramáticos. As crises bancárias, com crédito em abundância, mas com inadimplência na estratosfera, a quebradeira no setor imobiliário pela perda de seu valor, este altamente sensível as condições de empregos da sociedade etc.
 
A conseqüência neste caso é a perda de valor das riquezas conforme preconizou Robert Kurz; bancarrota dos orçamentos pela baixa arrecadação decorrentes de uma economia em recessão. Na outra ponta uma assistência social em valores fixos, que não podem ser reduzidos, nem adiados, tanto pelo lado institucional, como pelo lado das necessidades humanas. O primeiro depende do comportamento dos mercados, o segundo é fixo ou obrigatório pela própria natureza. O aumento numérico desproporcional dos aposentados pela sua sobrevivência cada dia maior – pelo bendito aumento da longevidade – com uma baixa reposição das gerações é uma nova realidade dramática. Ninguém está escapando desta: tanto a doutrina política conservadora anglo–saxônia, como a social-democracia não conseguem reverter o cenário ou encontrar uma solução. 
 
Há sinais de decadência em toda parte. Foram décadas de abusos e benevolência social sem o devido respaldo orçamentário. O saque contra o futuro que já aludimos em artigos anteriores estão vencendo. Está chegando a hora de pagar a conta.
 
Por outro lado, a tecnologia permitiu um salto no aumento de produtividade, tornando os produtos mais baratos, permitindo que milhões de novos consumidores comecem a participar deste bolo delicioso que é o PIB. A competição frenética pelo lado do mercado faz com que cada vez mais as empresas usem da tecnologia como ferramenta (arma?) na sua competição. A única consciência empresarial que ainda resta é evitar o desemprego em massa, caso contrário não se terá mais consumidores. Neste caso em nada adiantou a tecnologia. 
 
Diante do cenário de conforto oferecido pelas tecnologias de ponta, entra a linha de serviços de entretenimento, para preencher o espaço de tempo, de outros milhões (principalmente jovens), configurado pelo uso fantástico e fanático da vida virtual. O computador passou ser agora um novo eletro(nico) doméstico, tão banal como um refrigerador ou mesmo uma televisão, esta última, precursora do entretenimento.  
 
Os religiosos diriam, tirem meia hora por dia para uma reflexão espiritual; os sociólogos diriam, tirem meia hora para dedicar a seus filhos ou famílias; os ambientalistas diriam reduzam o consumo que os ecossistemas voltariam encontrar seu equilíbrio;  mas os economistas diriam se perderem meia hora ou reduzirem o consumo a economia reduzirá o PIB. Poucos se aventuram buscar explicações na parte mais nobre, abstrata e profunda do pensamento humano: a filosofia.
 
– Sergio Sebold – Economista e Professor – sebold@terra.com.br