A coluna Zapping, do jornalista Alberto Pereira Jr., noticiou na semana passada que o programa Fantástico, que já foi um dos xodós da família Marinho, continua despencando na audiência. “O ano não foi muito bom para o ‘Fantástico’, da TV Globo. O dominical teve média de 22 pontos, segundo o Ibope da Grande São Paulo, em 2010, a menor da década. Em 2000, fechou com 34. A queda da audiência se acentua desde 2005 e soma 35% entre 2000 e 2010”.

Ainda segundo o colunista, “no mesmo período e horário, o SBT caiu de 20 pontos para 10. A Record saiu da terceira posição, com cinco pontos, para a vice-liderança com 12 pontos”. Com o objetivo de tentar reverter a acelerada queda, a direção da TV Globo decidiu estrear novos quadros, como o meloso “O cupido”, na qual a apresentadora Patrícia Poeta mostrará “histórias de amor inusitadas”. O médico Dráuzio Varella também reforçará o time do programa em declínio.

Corte de gastos e concorrentes

A notícia só confirma as dificuldades vividas pela ex-poderosa emissora, cria do regime militar, e anima as concorrentes. O Portal R7, da Record, registrou a “queda da audiência global nas noites de domingo”, apontou que é sétima regressão seguida de “uma das principais atrações da Rede Globo” e soltou rojões: "A Record mais que dobrou seus índices e assumiu a vice-liderança, com o crescimento progressivo da audiência do Domingo Espetacular, que hoje vence a programação do SBT e se aproxima mais do Fantástico a cada ano”. A comparação deve irritar profundamente os filhos de Roberto Marinho!

Para baixar ainda mais o astral global, o Portal Terra informou nesta segunda-feira, dia 2, que a “banda do Domingão do Faustão vai deixar o programa apresentado por Fausto Silva… A saída não tem nada a ver com mudanças artísticas ou fim de contrato. A TV Globo resolveu mesmo é cortar gastos. Um DJ substituirá o grupo”. No mês passado, a apresentadora comercial do programa, Talitha Morete, já havia sido demitida. As mudanças abruptas também refletiriam crescentes dificuldades com a audiência.

Sinal de fadiga da ex-poderosa emissora

A família Marinho talvez precise repensar rapidamente o formato dos seus programas – muitos deles teleguiados por Ali Kamel, o senhor das trevas da TV Globo. A linha adotada pela emissora dá sinais evidentes de fadiga. Em dezembro, já houve a morte do Casseta&Planeta, que perdeu toda a graça, afundou na audiência e enveredou para o pior tipo de baixaria política. Já na beira do caixão, o último programa foi melancólico e talvez ajude os filhos do Marinho a descobrirem as causas da crise da emissora global. 

Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, acompanhou o velório e não tem dúvida sobre as razões da morte. “No programa em questão, os doublés de humorista Hubert e Cláudio Manoel interpretam, respectivamente, o presidente Lula e Dilma Rousseff. O diálogo sem graça, politiqueiro e desrespeitoso com a condição feminina explica à perfeição porque a tradicional atração da TV Globo vem perdendo audiência ano após ano… Pouco adiantou o histriônico Marcelo Madureira ir bajular a imprensa golpista lá no Instituto Millenium. Televisão é audiência e os Marinho não gastam vela com mau defunto”.

Manipulação e preconceito

O diálogo preconceituoso e rastaquera citado por Eduardo Guimarães confirma que a TV Globo caminha rapidamente para o desfiladeiro:

“Lula” (Hubert) – Ah, Dilmandona, parabéns pela sua vitória nessa tal de eleição, entendeu, mas eu vou logo avisando, hein: não quero trairagem comigo, não. Quem vai mandar, sou eu… He, he, he…

“Dilma” (Cláudio Manoel) com voz rouca igual à de “Lula – Pode ficar tranqüilo, eu vou ser bem obediente e boazinha.

“Lula” – Eu sei, mas você vai ter que seguir o meu regime…

“Dilma” – É claro, chefinho, eu vou fazer tudo igualzinho, vou nomear até os mesmos ministros.

“Lula” – Não, não é nada disso que eu to falando, não. Tu vai ter que seguir o meu regime alimentar. Ó só: tu vai comer ovo, repolho, batata-doce e feijão. Todo dia… He, he, he…

“Dilma” – Mas chefinho, se eu comer isso todo dia vai dar muito pum.

“Lula”, segurando os ombros de “Dilma” e conduzindo-a à “cadeira presidencial” – Eu sei, mas eu quero que você esquente a cadeira pra mim. Assim, quando eu voltar, vai estar bem quentinha… He, he, he…