Não basta
dizer que o mundo está errado. É preciso dizer quais são os
maiores erros e tentar indicar em que direção eles podem ser
superados.



injustiças, desrespeito, miséria, opressão. Nossos inimigos
cometem (ou mandam seus capangas cometerem), quase todos os dias,
atos de intimidação contra nós. Somos ameaçados, agredidos. E,
para nos defendermos, lutamos.


Gostaríamos
de evitar a violência. Sabemos, porém, que ela nos é imposta. A
vida nos ensina que o nosso maior problema só poderá vir a ser
resolvido num combate prolongado. Os capitalistas, os grandes
proprietários de terras, os empresários rurais, criam
freqüentemente situações de provocação contra nós. Às vezes,
como pessoas, eles gostariam de fazer acordos conosco, mas o sistema
a que eles pertencem dificulta o entendimento.


O sistema
atual é cínico e perverso. Sua base – o capitalismo – tem de ser
modificada. O capitalismo cria para a humanidade uma terrível
insegurança.


Os seres
humanos não podem viver sem valores. Para viver, eles precisam fazer
escolhas, precisam ter uma escala de valores.


Marx
chamou a atenção para a diferença que existe entre o valor de uso
e o valor de troca. O valor de uso é o valor verdadeiro: é a
qualidade dele que conta para nós.


O valor de
troca é aquele que se traduz em dinheiro.


No
capitalismo, como tudo gira em torno do mercado, tudo tende a virar
mercadoria, o valor de troca tende a absorver o valor de uso.


Podemos
esclarecer essa situação com um exemplo.


Quando
recebo meu pagamento, posso comprar um presente de aniversário para
minha mulher ou para meu filho, posso chamar um casal de amigos para
jantar, posso alugar um DVD para ver junto com colegas de trabalho, e
em todos esses momentos meu dinheiro estará funcionando como valor
de uso.


Agora
vamos passar a um outro sujeito, a um banqueiro, a um industrial
milionário, a um gigante da importação/exportação. Ele se senta
no salão de diretor-presidente da sua mega-empresa, dá uma olhada
nos relatórios de seus vice-diretores de confiança, manda fazerem
algumas modificações nos investimentos programados para o mês que
vem.


Aparentemente,
o dinheiro que no nosso exemplo está nas mãos do mega-empresário é
idêntico àquele que está nas mãos do trabalhador. Olhando de
repente, a gente tem a impressão de que é só a quantidade que os
diferencia. Mas não é bem assim.


A
diferença (brutal) na quantidade de dinheiro não é causa, é
conseqüência. O empresário (riquíssimo) transforma seu dinheiro
em capital, quer dizer, arranja um modo de multiplicá-lo. O dinheiro
rende. Nas mãos do trabalhador, entretanto, para atender às
simpáticas demandas do valor de uso, os salários mínguam,
derretem, somem.


Por isso,
mesmo quando o trabalhador melhora um pouquinho seu nível de renda,
ele continua sendo vítima da exploração inerente ao sistema. As
qualidades do valor de uso vão se tornando abstratas. Os valores
éticos (qualitativos) vão se tornando fracos, vão se apagando.


O dinheiro
se encarrega de quantificar tudo, de reduzir tudo (ou quase tudo) a
preços.


O dinheiro
seria, então, o valor que está prevalecendo no nosso mundo. E,
como o dinheiro, de fato, não é um valor, precisamos lhe impor
limites, lhe retirar privilégios para voltarmos a ter valores
genuínos, autênticos, verdadeiros


Nossos
teóricos mais lúcidos – nossos "clássicos", como
costumamos dizer – nos ensinam muitas coisas e coisas muito
importantes. Eles despertam em nós a vontade de conhecer melhor os
aspectos da realidade que queremos transformar, nos levam a
estudá-los. E, aproveitando as categorias, os conceitos e os
métodos, estaremos nos compreendendo mais profundamente e poderemos
agir com maior eficiência política.


Nossos
"clássicos" podem nos dar "a régua e o compasso"
– como diz o ex-ministro Gilberto Gil – para podermos avaliar as
nossas forças e as de nossos inimigos de classe e o melhor momento
de infligirmos nossos golpes de maneira mais eficiente e arrasadora.