Há um dado que precisa ser levado em conta em qualquer pesquisa dos chamados grandes institutos. A quem serve o instituto? Quais os objetivos da pesquisa?

O jornal “Folha de São Paulo” controla o “Data Folha”. São partes do grupo “Folha”. Porta vozes da FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo) e do tucanato. Dessa maneira tudo o que o jornal divulga e todas as pesquisas do instituto devem ser vistas com desconfiança.

Têm objetivos claros e, no caso, o grupo está engajado na campanha do ex-governador Geraldo Alckmin.

Isso não significa, por outro lado, que os dados sejam totalmente irreais. É possível escamotear alguma coisa, mudar um pouco ali, um pouco aqui e chegar-se a um final desejado. Mas é necessário que tenham o mínimo de credibilidade e o trabalho do “Data Folha”, neste momento, se volta para viabilizar ao mínimo a candidatura tucana e levar o jogo para a prorrogação, no caso, o segundo turno.

O desejo aí é o do segundo turno.

Existe um porém que salta da pesquisa. O crescimento da candidatura da senadora Heloísa Helena. Dez por cento é um índice alto a dois meses e meio das eleições presidenciais.

Mostra que boa parcela do eleitorado está sensível ao discurso da senadora.

Alckimin e Lula representam a mesma coisa.

É difícil, há uma série de fatores que inibem o crescimento maior da candidatura de Heloísa Helena, mas não é impossível.

Lula está metendo os pés pelas mãos na eleição mais ganha dos últimos anos. Alianças feitas pelo decepcionante Nilmário Miranda com bandidos como Newton Cardoso mudam o eixo das eleições em Minas, por exemplo e transformam Aécio Neves de cabo eleitoral mudo mas efetivo de Lula, em alguém com obrigação de ajudar Alckmin para seu próprio benefício, dele Aécio.

Atiraram no próprio pé. Nilmário e a parcela do PT que fez o acordo com Newton.

Há uma forte tendência nesse Estado de apoio ao candidato a governador da aliança PSTU e P-SOL e, logo, ao nome de Heloísa Helena. Falo de Minas, um Estado, por natureza, mais conservador que a média dos estados brasileiros.

Isso se reflete noutros estados. O PMDB é quadrilha. Tirando a meia dúzia que ainda escapa, o que se faz ali são “negócios”. Desde o braço petista, ao braço tucano e aos braços do quem dá mais. Todos querem mais.

O peso desse barco quando se trata de aliança com Jader Barbalho, naturalmente, leva ao fundo. Naufraga. E vai por aí afora em alianças e acordos semelhantes.

Um outro aspecto a ser levado em conta. Por mais que queiram evitar Lula e Alckimin vão para um tiroteio mais ou menos intenso, mas vão. Têm que ir, do contrário nem um se reelege e nem outro cresce.

A insatisfação de boa parte dos brasileiros e a certeza que um e outro, o petista e o tucano são basicamente iguais, pode representar outra perspectiva de crescimento da senadora, como conseqüência de maior visibilidade seja no programa eleitoral, seja na própria campanha em sua fase aguda.

Heloísa Helena conseguiu um companheiro de chapa extraordinário sob todos os aspectos. César Benjamin. Dependendo dos recursos (poucos evidente) e das possibilidades no curso da campanha de inserção de ambos, da fala dos dois, como dizia Gentil Cardoso, “pode dar zebra”.

A própria pesquisa do “Data Folha”, ao registrar o crescimento da candidatura da senadora Heloísa Helena sugere que de fato pode acontecer um segundo turno mas quem vai para a disputa com Lula está indefinido.

Se a campanha propriamente dita trabalha contra Alckimin, uma figura lastimável, trabalha a favor de Heloísa Helena. Se a senadora entender, parece ter entendido, que o jogo não é jogado com ou contra a dupla tucana e petista, mas por fora, noutra dimensão, as chances são reais. Marcar, pontuar a cada momento as diferenças.

Ai o “Data Folha” se estrepa, com ele se estrepam a FIESP, os tucanos, os petistas/lulistas, abre-se a perspectiva de uma nova realidade política para o Brasil.

É esperar para ver, até porque, os institutos de pesquisa, se perceberem que Heloísa Helena é risco para os donos, vão tentar de tudo para arrebentar com as chances da senadora.

Fazem pesquisas para os donos do País.