A militância do PT impôs uma derrota estrondosa aos profetas do fim do PT e do fim da esquerda brasileira. O conservadorismo fascista que apressada e preconceituosamente comemorava a “extinção da ‘raça petista’ por 30 anos”, se estrepou! Ao senador Bornhausen e sua malta conservadora do PSDB/PFL, a notícia feita por petistas: o PT não acabou, continua muito vivo!

O PT nasceu em 1980 na contracorrente do regime militar e do bipartidarismo das classes dominantes e foi fundado como uma obra inédita dos trabalhadores em contraposição às experiências partidárias da esquerda burocrática e estalinista.

A mesma riqueza e vigor que deram origem ao PT também asseguraram a mais extraordinária resposta que o partido poderia ter frente a uma adversidade monumental como a presente crise – grave e profunda a ponto de comprometer não só o presente da sigla, mas a própria existência e continuidade do PT.

Foram quase 550 mil votos de filiados no primeiro e segundo turnos das eleições internas que demonstraram a pujança militante do PT, tornando-o inigualável em matéria de democracia e vitalidade partidária; mostrando-o como de fato é: muito diferente e muito superior a qualquer partido político de direita.

Os resultados foram inequívocos na afirmação de uma ampla vontade de refundação do PT, de retomada de sua essência enquanto projeto estratégico de esquerda portadora de uma visão generosa e socialista de sociedade. Até mesmo a eleição de Ricardo Berzoini para a presidência do partido não outorga ao campo majoritário – único setor implicado nos graves e inaceitáveis desvios ideológicos e éticos – a autoridade para comandar o PT com a mesma força absoluta e exclusiva como vinha fazendo nos últimos dez anos.

As eleições partidárias evidenciaram a existência de um sentimento crítico e indignado em relação à corrosão ética causada ao PT e à adaptação do governo Lula à falácia da fatalidade neoliberal na gestão da economia brasileira.

Depois de longo tempo de atividade monolítica e estéril, finalmente o PT pôde reencontrar o principal nutriente de sua vida partidária: o debate franco, construtivo e democrático que permite a construção de sínteses coletivas e especialmente de compromissos e responsabilidades compartilhadas nos destinos do partido.

São muitas as razões da vitória do PT que, contudo, não encerram os desafios postos a partir desta realidade. O enorme capital político acumulado através da candidatura de Raul Pont em nome do sentimento de mudanças, tem de ser convertido em força real de refundação permanente do PT, para consolidar a viabilidade da principal experiência histórica da esquerda brasileira e latino-americana.

– Jeferson Miola é integrante do IDEA – Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre; foi Coordenador-Executivo do 5º Fórum Social Mundial.