Desculpem. Não é uma pergunta sem aparente razão: Quem de vós, enquanto realiza suas compras, atenta demoradamente para ler as informações presentes nos rótulos dos produtos alimentícios? Pouco provável ou diria difícil. No máximo lemos a marca e a serventia do produto. Ah! o prazo de validade. A máxima: poupar tempo. Conferimos os preços produto a produto tendo em mente o dinheiro que “enche” a carteira. Qualquer coisa, nós descartamos os menos essenciais. Coisa pouca, coisa que não fará falta no dia a dia: produtos de beleza, refrigerantes, sucos e sorvetes. A máxima: poupar dinheiro. Gastamos mais de 1/3 com alimentos, seja verduras, legumes, cereais, massas, óleo, margarinas, biscoitos, frutas, carnes, pescados. Curioso: comprávamos um tanto de mercadoria e saia por um valor; hoje, compramos bem menos mercadorias e pelo mesmo valor ou até mais.

Várias dessas mercadorias embutem em seus preços custos abusivos, com os quais nem sonhamos. Outras suavizam o preço final ao consumidor que agradecido compra caEm qualquer negócio, em certa medida, arma-se uma arapuca. As iscas são os reais, os dólares e os euros. Nossas mãos tateiam o escuro da armadilha e, se não ficarem presas, saem com umas míseras moedas. O que deu errado? Aprendemos a negociar tudo o quanto é material neste planeta. A água daqui pra frente é mais um entre tantos itens na OMC. Nem sempre o negociável está a olhos vistos e isso é o caso da agricultura. A arapuca é vender aos produtores que está se negociando grãos e aos consumidores que estão consumindo alimentos naturais sem nenhum tipo de herbicida. Conversa: o negócio é tecnologia de alimentos.

Alteração do regime biológico da semente para ele produzir mais, codificação de suas informações e patenteamento da descoberta para quem quer que a use ter que pagar royalties. Gato por lebre, na certa. O Altermir Tortelli, coordenador da Fetraf-Sul, cantou a bola já tem um certo tempo, em se tratando de transgênicos: “A Monsanto que começou cobrando R$ 0,60, em apenas um ano dobrou o valor, exiCom os baixos preços ofertados para a saca de soja, os transgênicos vêm sendo propalados como a salvação da lavoura para os agricultores super-endividados que produzem soja convencional; quem defende os transgênicos apresenta a conta de 350 dólares por hectare que se gasta com herbicidas na soja convencional. Fazendo uma leitura realista, os transgênicos são o passo óbvio da indústria de tecnologia de alimentos que joga no armário séculos de seleção natural de sementes para pôr no seu lugar sementes geneticamente modificadas.

Produzir um tipo de cereal por quantidades imensas de terra e esperar que isso resulte em toneladas e toneladas de grãos são negócios de milhões e milhões de dólares que necessitam de controle e este controle é a informação técnico-científica. O furor na análise dos 350 dólares de herbicidas vira irreal ao compreendermos que os lucros obtidos pelos agricultores são mirrados e as “vantagens” ao consumidor final são ofensivas, porque os lucros com royalties serão astronômicos e o consumiVoltamos a pergunta inicial. Quem se atrever a ler os rótulos de produtos alimentícios vai se admirar com o nível de informações alocadas naquele espaço visual. Pegue, por exemplo, o rótulo do óleo vegetal Soya, da Bunge. Bastante colorido, por sinal. Rico em cores. Rico em vitamina E. Sem colesterol. A panela repleta de legumes e verduras. Conselhos para a dona de casa conservar o óleo: mantê-lo em lugar seco. Valor calórico: 120kcal. Telefone e correio eletrônico do serviço de atendimento ao consumidor. Você é um consumidor bem-informado que se transforma em gourmet, cozinheiro e nutricionista. Qualquer dúvida?! A soja encontrada no Soya veio de onde? Transgênica? Convencional? As fornecedoras desta soja desmataram quanto e onde? Contaminam igarapés? E por fim, as fábricas respeitaram as etapas do licenciamento ambiental? Quantos empregos foram gerados? Incentivos fiscais?

Fonte de e Mayron Régis, jornalista Articulação Soja-Brasil/Cebrac