No acampamento Terra Prometida, na fazenda Nova
Alegria, Municipio de Felisburgo, no Vale do
Jequitinhonha, em Minas Gerais: 05 mortos e mais de 20
feridos gravemente.

Dia 20 de novembro de 2004, dia da morte do grande
economista Celso Furtado, aos 84 anos, dia da
Consciência negra ao recordarmos Zumbi dos Palmares e
os Quilombos, um dia após o Tribunal de Justiça do Pará
absolveu 145 cabos, sargentos e soldados que
participaram do Massacre de 19 sem terras em Eldorado
dos Carajás, em 17/04/1996, com muita dor no coração e
com grande indignação, vimos informar o que segue:

Massacre a mando de Latifundiários na Fazenda Nova
Alegria de 2.400 hectares, localizada no município de
Felizburgo, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.

Hoje por volta das 12:00 horas; as 100 famílias que
ocupam a fazenda desde 1º DE MAIO de 2002, foram
surpreendidas por rajadas de balas disparadas por 18
pistoleiros, coordenados pelo Sr Adriano Chafico e seu
primo que fortemente armados, assassinaram 5
trabalhadores: Iraguiar Ferreira da silva – 23 anos;
Miguel José dos Santos – 56 anos; Francisco Nascimento
Rocha – 62 anos; Juvenal Jorge da Silva (65 a 70);
Joaguim José dos Santos (65 a 70) e mais de 20 estão
baleados, destes, 3 estão em estado grave (transferidos
para hospital no município de Teófilo Otoni/MG), entre
os vinte feridos há uma criança de 12 anos. Muitos
trabalhadores, inclusive mulheres e crianças estão
desaparecidos.

Além dos disparos, atearam fogo em todas as barracas;
as famílias se encontram à beira da estrada sem comida,
sem os pertences e sem BARRACAS para dormir.

O Instituto de Terras de Minas Gerais – ITER -, através
do levantamento da cadeia dominial, constatou que a
fazenda é devoluta e, por morosidade do Poder
Judiciário, ainda não se concluiu o processo de
assentamento das famílias, preferindo deixarem a terra
a mando de Adriano Chafico que diz ser o proprietário.

Em uma data significativa da luta da classe
trabalhadora, que é o dia da Consciência Negra e Zumbi
dos Palmares, o Estado de Minas Gerais, onde o Sr
Governador Aécio Neves diz que o povo respira
liberdade, hoje foi manchado com sangue de
trabalhadores SEM TERRA que almejavam respirar essa tão
sonhada liberdade.

Esse massacre é de total responsabilidade do Governo
Estadual e do Latifúndio improdutivo. Pois Minas Gerais
possui 11 MILHÕES DE HECTARES DE TERRAS DEVOLUTAS, e
nada faz para agilizar a Reforma Agrária no Estado.

Belo Horizonte, 20 de novembro de 2004.

Coordenação Estadual do MST – MG e Comissão Pastoral da Terra – MG

Eis a notícia com mais detalhes, abaixo:

Na manhã do dia 20 de novembro de 2004, no Município de
Felisburgo/MG, região do Vale do Jequitinhonha, 18
Jagunços armados, três deles encapuzados, invadiram o
Acampamento Terra Prometida do MST e assassinaram 05
Trabalhadores Rurais Sem Terra e feriram outros 20
trabalhadores, três dos quais se encontram em estado
grave em hospital da região.

Cerca de duzentas famílias do MST ocupam a área
conhecida como Fazenda Nova Alegria, no município de
Felisburgo, há mais de dois anos, onde constituíram o
Acampamento TERRA PROMETIDA.

As famílias estão lá tranqüilamente, cultivando a terra
e acampadas, esperando uma solução definitiva. A área
é pretendida pelo fazendeiro ADRIANO SHAFICO, que vive
no estado da Bahia e teria ligações com o poder
judiciário local.

Logo após a ocupação há dois anos atrás, o Instituto de
Terras de Minas Gerais – ITER -, ao analisar a situação
conjuntamente com o Ministério Público local, verificou
que as áreas são de fato devolutas, e pertencem ao
estado de Minas Gerais. Assim, o INCRA não poderia,
nem legalmente desapropriar, pois na verdade o pretenso
fazendeiro era grileiro.

Sabendo dessa situação, o fazendeiro passou esses dois
anos fazendo todo tipo de provocações, fazendo ameaças;
chegou a seqüestrar adolescentes, tentando de tudo
fazer com que os sem-terra abandonassem a área.

Hoje, sábado, dia 20 de novembro, por volta do meio-
dia, enquanto a coordenação do acampamento estava
reunida em um barraco, cerca de 15 pistoleiros
fortemente armados com carabinas, espingardas doze,
invadiram o acampamento atirando, precisamente no
barraco da reunião, e atiraram intermitentemente contra
todos e todas.

Resultado: 5 companheiros sem terra foram
assassinados, quatro na hora, e outro morreu enquanto
era levado para o hospital. Foram assassinados os
trabalhadores rurais Iraguiar Gomes da Silva, 26 anos;
Juvenal Jorge da Silva, 65 anos; Miguel, 54 anos;
Francisco, acima de 65 anos. E Geraldo, acima de 65
anos. E outros 20 foram levados gravemente feridos para
hospitais da região. Há também crianças e mulheres
levemente feridas.

Os acampados reconheceram os atacantes como pistoleiros
dos fazendeiros da região, e um deles inclusive seria
recém foragido da cadeia local por assassinato.

É evidente e notório que o mandante desse massacre é o
grileiro fazendeiro Adriano Shafico.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST –
e a Comissão Pastoral da Terra – CPT -, esperam que a
Justiça seja estabelecida, que todos os 18 pistoleiros
que vieram em dois veículos, com placas identificadas,
e o fazendeiro mandante, sejam imediatamente presos. E
que o Governo do Estado de Minas Gerais tome posse da
área, para distribui-la aos trabalhadores rurais Sem
Terra, efetuando imediatamente o assentamento das
famílias lá acampadas.

O Município de Felisburgo, fica a 700 km de Belo
Horizonte, localizado no Vale do Jequitinhonha, na
divisa com o estado da Bahia e é uma das regiões mais
pobres do país.

Em Minas Gerais, as terras devolutas estão envolvidas
em uma complexa história de grilagem de terras,
iniciada na década de 70 do século XX e se arrasta aos
nossos dias, com a conivência criminosa de cartórios;
envolve apropriação indevida de terras devolutas do
Estado e violência contra trabalhadores rurais. Vastas
extensões de terras foram transferidas para empresas
reflorestadoras. O ITER – Instituto de Terra – diz que
o Estado de Minas Gerais tem cerca de 11 milhões de
hectares de terras devolutas. O governador do Estado de
Minas Gerais Aécio Neves é responsável por não agilizar
o processo de restituição ao patrimônio do Estado das
terras devolutas, reivindicadas pelos Sem Terras para a
reforma agrária. Se o Governo de Minas já tivesse
resgatado as terras devolutas e as destinado à Reforma
Agrária, teria evitado a chacina no Acampamento “TERRA
PROMETIDA” – município de Felisburgo – Minas Gerais.

A não aprovação do Plano Regional de Reforma Agrária de
Minas Gerais 2004-2005, pelos movimentos sociais expõe
a fragilidade para a concretização do Plano Nacional de
Reforma Agrária (PNRA), diante da opção dos governos
federal e estadual pelo agronegócio para conseguir a
“governabilidade” com o apoio da bancada ruralista, no
Congresso Nacional.

Hoje, o Estado de Minas Gerais possui cerca de 18.000
famílias acampadas, destas 14.884 famílias, em 181
acampamento, sob a responsabilidade da superintendência
regional do INCRA/MG (SR 06), que afirmou ter recursos
e capacidade operacional para assentar apenas 2.018
famílias. Isso representa menos da metade proposta pelo
PNRA que é de assentar em 4.500 famílias, em Minas
Gerais. Ainda, há que considerar a necessidade de
consolidar os assentamentos existentes.

Rolf Hackbart, presidente Nacional do INCRA, no dia 17
de setembro, na sede do INCRA-MG, entre suas
justificativas disse que – “não podemos perder este
momento e deixar de colocar a Reforma Agrária (RA) como
instrumento de desenvolvimento econômico, e não apenas
como uma política compensatória”. Esta é uma opção
política que o governo Lula deve não só aos
camponeses(as), mas a toda a sociedade brasileira.

Não se trata em uma análise simplista da ausência de
recursos orçamentários e de infra-estrutura do Incra
para inviabilizar a RA. A indignação dos Movimentos
Sociais é clara, pois trata de uma urgente e necessária
opção política dos governos federal e estadual para
implementação de políticas públicas capazes de mudar a
estrutura da sociedade, propiciar a transformação
política-econômica-social e cultural para que possamos
construir de fato um BRASIL, UM PAÍS DE TODOS!

Maiores Informações:
(33) 3741 – 2238
(31) 3356 – 3829 ou
031 3466 0202 (CPT)