No cenário atual, ainda que prematuro, o general Weslel Clark parece
consolidar-se como o favorito para enfrentar, pelos democratas, a
reeleição (ou eleição, se considerarmos que não exatamente escolhido pela
maioria nas eleições de 2000) de Bush. O que isto significa?

Cada vez que o quadro político é deslocado bruscamente para a extrema
direita, refletindo um desejo dos eleitores, o partido opositor anota o
recado e busca adaptar-se a essa virada. Quando Reagan derrotou a Carter
em 1980, os democratas só conseguiram voltar à presidência, três mandatos
depois, com Clinton, um candidato que incorporava as políticas
neoliberais de Reagan e Bush, dando continuidade ao desmonte do Estado
rooseveltiano iniciado por seus antecessores. Foi o efeito Reagan sobre
os democratas.

Da mesma forma, quando Netanyahu derrotou os trabalhistas e impôs uma
nova linha dura na política do Estado israelense com os palestinos, os
trabalhistas conseguiram derrota-lo com um candidato militar, já
diferente dos quadros históricos do partido, para demonstrar que
incorporavam a importância da questão militar no seu novo governo. Foi o
efeito Netanyahu sobre os trabalhistas israelenses.

Não seria diferente no Brasil, quando o sucesso de opinião pública das
políticas de combate à inflação do governo FHC tiveram, como um de seus
efeitos colaterais – neste caso, desejados – a incorporação dessa pauta
pelo governo Lula, conforme a continuidade das políticas econômica e
financeira até aqui vigentes o demonstram. É o efeito Malan sobre o
governo Lula.

No caso das eleições norte-americanas do ano próximo, a escolha de um
militar, evitando um candidato demasiado progressista para o que os
democratas consideram que seja a opinião média do eleitorado norte-
americano – como é o caso do ex-governador Dean, até o lançamento de
Clark o líder das pesquisas entre os democratas -, parece conquistar o
partido opositor. Ficaria assim garantida, com um general que já foi
comandante da OTAN inclusive numa das recentes guerras, a da Sérvia, a
preocupação democrata com o tema da violência e da guerra, incorporado à
cabeça dos norte-americanos. Seria o efeito Bush sobre os democratas.

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