O presidente nacional do PT, José Genoino, afirmou hoje ao Portal do
PT que o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o
presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, na semana passada,
representou apenas uma abertura de diálogo. Com relação à
confirmação da data de criação do acordo para 2005, Genoino lembrou
que ela já estava definida previamente e já se constituía num
dispositivo legal. “A aceitação da data, que inclusive já existia e
era um fato consumado, até porque é um dispositivo legal, não
significa que o Brasil está aceitando todas as incursões dos EUA”,
afirmou.

O presidente do PT lembrou que o que o governo Lula pretende é
discutir os termos da agenda da Alca, o que inclui a questão da
lista dos produtos sensíveis e o protecionismo dos países ricos
sobre os produtos que acabam prejudicando a economia brasileira.
Leia, a seguir, a entrevista.

– No encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o
presidente dos EUA, George W. Bush, ambos confirmaram a criação da
Alca para janeiro de 2005. O que isso representa em relação às teses
defendidas pelo PT?

José Genoino: As teses defendidas pelo PT têm uma base e um conteúdo
determinado. Nós não queremos a Alca como os EUA querem. Nós
queremos alterar os termos da agenda da Alca. Queremos discutir o
protecionismo dos países ricos sobre produtos que prejudicam o
Brasil, queremos discutir a lista de produtos sensíveis, queremos
discutir formas de compensação dos países que não têm condição de
competir na área de livre comércio, queremos garantir os interesses
do Brasil, seja na integração sul-americana, seja no seu papel em
relação a outros mercados mundiais. Vai ser uma negociação de mérito
difícil. Nós temos uma relação bilateral que, para nós, não é de
submissão. É uma relação bilateral em que vamos nos pautar pela
defesa dos interesses brasileiros.

– Isso foi exposto na reunião ou o encontro não tinha propósito de
iniciar de fato a negociação?

JG: Essa foi uma reunião que iniciou um diálogo bilateral sobre as
condições e os termos e o conteúdo da própria Alca. Apenas se abriu
o diálogo. A aceitação da data, que inclusive já existia e era um
fato consumado, até porque é um dispositivo legal, não significa que
o Brasil está aceitando todas as incursões dos EUA. O presidente
Lula afirmou isso publicamente, tem defendido publicamente, e o que
vai pautar a atitude dele será a defesa dos interesses brasileiros.
A Bush, Lula enfatizou que o Brasil não deseja ter sua economia
massacrada pelos países envolvidos com o fim das barreiras
comerciais. E para nós isso é fundamental, porque, com as barreiras
que existem hoje, com o protecionismo que existe hoje, nós poderemos
sufocar os interesses brasileiros. E o Lula vai saber defender os
interesses brasileiros, que são o centro da sua política externa e
que ele tem acertado 100%.

– sr. acredita numa relação equilibrada entre o Brasil e os EUA
dentro do contexto da Alca?

JG: Toda relação diplomática, comercial, financeira, é uma relação
que depende da correlação de forças. São forças diferentes,
interesses diferentes, pesos diferentes. Vai depender muito da nossa
capacidade de negociar, da nossa força interna e da nossa habilidade
na defesa dos interesses brasileiros. O Brasil, como co-presidente
das negociações da Alca, tem uma responsabilidade grande, mas
precisa ter condições para honrar esse peso e essa responsabilidade.
Por isso é que a integração sul-americana é fundamental, o acordo
com alguns países da Ásia e da África é muito importante para o
processo de abertura de mercado e de outros blocos para o Brasil
defender seus interesses. Acho que a nossa política externa está
correta e agora entra em uma fase de discussão de mérito. Vamos
fazer uma negociação que vai ter momentos de tensão, mas não pode
ter um momento de ruptura.

– Então foi positivo esse encontro do Lula com o Bush?

JG: Minha avaliação é de que todas as iniciativas do presidente Lula
têm sido altamente positivas. No início, quando visitou a Argentina
antes de visitar os EUA, na primeira reunião com Bush, nesta
segunda, as reunuiões que teve com governantes da EU e reuniões com
outros países. Ele tem tido ousadia, capacidade de iniciativa de
pautar os interesses brasileiros na mesa de negociação. Temos que
negociar. A correlação de forças no mundo exige que a gente saiba
negociar, porque nós temos hoje uma hegemonia determinada e temos
que saber defender nossos interesses e negociar muito bem. Nem oito
nem oitenta. Temos que saber buscar uma mediação para a defesa dos
nossos interesses.

http://200.155.6.3/site/noticias/noticias_int.asp?cod=12586

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