O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, chega nesta semana ao Brasil para
conversações com o governo brasileiro. Não devem estar incluídos pelo
presidente colombiano temas como a Alca, o Mercosul, a guerra e a paz no
Iraque. Infelizment. Sua preocupação central – e praticamente única – é a luta
contra o narcotráfico, na modalidade escolhida por seu governo – em acordo com
o governo norte-americano -, de militarização do conflito.

O governo brasileiro já revelou que não tem nenhuma disposição de atender
as demandas de Uribe – como as de incluir as Farc (atenção, imprensa
brasileira: Forças Armadas Revolucionárias da Colombia e, portanto, FARC e nada
de Farcs) na lista de organizações que o governo dos EUA consideram
“organizações terroristas” e abrir caminho para uma intervenção militar aberta,
maciça e assumida de tropas norte-americanas no coração da estratégica zona
andino-amazônica. Faze-lo seria trazer a “guerra infinita” em cheio para a
nossa região, sob direção ilimitada de um governo que já demonstrou sua falta
de disposição de respeitar qualquer instituição ou legalidade internacional.

O governo brasileiro se reserva o direito de ter critérios próprios a
esse respeito, para qualificar como considere correto a movimentos
guerrilheiros, a grupos paramilitares, ao Exército colombiano ou a outras
organizações internacionais. Prefere se reservar o papel de mediador num
conflito em que os governos colombiano e norte-americano são parte integrante,
além das guerrilhas e dos grupos paramilitares desse país.

Mas além disso, o Brasil pode falar da sua própria experiência. O país
está tentando construir espaços de debate, de integração e de construção de uma
sociedade e de um Estado justos e legítimos, por meios institucionais,
ampliando os espaços democráticos e tratando de priorizar as soluções sociais
aos profundos problemas que o país enfrentar. Tentou-se criminalizar e destruir
os movimentos sociais, mas essa alternativa não se revelou nem justa, nem
possível. Agora o país trilha o caminho da coesão social e da busca de
alternativas políticas democráticas.

As formas violentas de enfrentamento dos conflitos geram mais violência,
uma cultura de intolerância, intervenções externas, militarização da vida
política. Ainda mais neste momento, em que uma ação desse tipo se inscreve no
marco da “guerra infinita” desataca pelo governo dos EUA contra o que considera
“forças terroristas”. Aceitar os termos que o presidente colombiano assume e
propõe ao Brasil, seria reforçar a truculência do governo Bush e fortalecer o
mundo unipolar e violento que pretende impor a guerra ao Iraque contra a
opinião pública mundial e a legalidade internacional.

Que o presidente Álvaro Uribe saiba e transmita a seu povo que o Brasil é
favorável a uma solução pacífica, justa e duradoura do conflito que envolve a
Colômbia. E por isso mesmo, não se alinha com a política norteamericana de
militarização dos conflitos e de alinhamento com Washington, lutando, ao
contrário, pela integração latinoamericana e pela solução intermediada pelos
governo e pelas forças políticas do próprio continente de seus conflitos.