Mais de 142 milhões de pessoas estão aptas a votar no domingo (5). Os 26 estados e o Distrito Federal vão eleger deputados estaduais e federais, senadores e governadores. A corrida eleitoral mais importante, claro, é a de presidente da República. As últimas pesquisas divulgadas antes do primeiro turno dão a dianteira para a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), com 40% das intenções de voto. Marina Silva (PSB), com 25%, e Aécio Neves (PSDB), com 20%, aparecem na sequência.
 
A possibilidade de vitória de Dilma no primeiro turno nunca esteve tão próxima. Quando se analisam apenas os votos válidos (excluindo brancos e nulos), a petista aparece com 45% dos votos. Para liquidar a fatura já no domingo, ela teria que crescer mais 5%, superando a soma dos votos de todos os seus adversários. Há ainda um percentual de quase 10% que se declaram indecisos ou não responderam às enquetes eleitorais, o que dá margem tanto para uma virada de Aécio contra Marina, quanto para confirmação de Dilma no primeiro turno. 
 
Recuos de Marina
 
O cientista político e professor Valdir Pucci acredita que a queda acentuada de Marina, de quase dez pontos percentuais nas pesquisas, se deve principalmente aos recuos e incertezas geradas pela própria candidata. “Existe um sentimento de mudança na sociedade que é real, e a Marina tentou expressar isso como nova política. Mas, como não manteve firmeza em suas propostas, parte do eleitorado questionou o potencial e a qualidade de mudança oferecida por ela”, analisa.  
 
O principal recuo de Marina foi a mudança das políticas de inclusão da população LGBT em seu programa. Em menos de 24 horas, a candidata retirou proposta favorável ao casamento igualitário entre pessoas do mesmo sexo. Marina também foi acusada pelo PSDB de plagiar em seu programa de governo trechos do Plano de Direitos Humanos do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2001). 
 
O desgaste, aliado à pouca estrutura de campanha nos estados, pode comprometer a chegada de Marina Silva ao segundo turno. “Quem vai enfrentar a Dilma passou a ser uma incógnita”, comenta Valdir Pucci. Antes contrária a algumas alianças de seu partido, como em São Paulo,  Marina teve de correr atrás. A campanha mandou imprimir mais de 70 milhões de santinhos com as fotos de Marina e Geraldo Alckmin (PSDB), para distribuir nos próximos dias. As regiões Sudeste e Sul foram os locais onde a candidata mais perdeu preferência do eleitorado. 
 
Avanços sociais e rejeição tucana
 
Dilma Rousseff, que chegou a vislumbrar uma grande derrota eleitoral, surfa de volta na onda do favoritismo. A aprovação de seu governo chega perto dos 40%, melhor patamar desde o ano passado. Além disso, no enfrentamento eleitoral com seus concorrentes, Dilma conseguiu demonstrar como as políticas sociais do seu governo e de Lula (2003-2010) conseguiram diminuir a miséria e melhorar as condições de vida da classe trabalhadora. Os programas de Aécio Neves e Marina Silva retomam o modelo neoliberal na economia, com corte de gastos e arrocho salarial, fatos bastante explorados pela campanha petista e que ajudaram a desconstruir as candidaturas adversárias.
 
A campanha no primeiro turno também confirmou uma tendência que deve se aprofundar nos próximos anos: a rejeição da grande maioria da população ao PSDB. Se for confirmada a passagem de Marina ao segundo turno no lugar de Aécio, o partido tenderá a ser uma força apenas regional, com prestígio em dois ou três estados, encerrando um ciclo na história política brasileira das últimas décadas.  
 
– Pedro Rafael Vilela, Brasília (DF)
 
03/10/2014